Agroecologia e suas alternativas de conservação social e ambiental
Segundo Caporal (2009), “A agroecologia nos faz lembrar de estilos de agricultura menos agressivos ao meio ambiente”. Nesse sentido, ela seria uma alternativa para estar trabalhando com esses agricultores, preservando o meio ambiente.
Então, quando se faz referência à Agroecologia está se tratando de uma orientação cujas contribuições vão mais além de aspectos meramente tecnológicos ou agronômicos da produção, incorporando dimensões mais amplas e complexas que aquelas das ciências agrárias “puras”, pois incluem tanto variáveis econômicas, sociais e ambientais, como variáveis culturais, políticas e éticas da sustentabilidade”. (CAPORAL, 2009, p. 27).
Dessa forma, conforme Caporal, a agroecologia não pode ser entendida apenas como um enfoque produtivo, mas uma ciência multidisciplinar que orienta as várias dimensões da sociedade como econômicos, agronômicos, produtivos, culturais, tecnológicos, etc.
Quando falamos em agroecologia tratamos de uma nova forma de agricultura, aquela que todos têm o mesmo direito de produzir, participar, promover solidariedade, equilíbrio com o meio ambiente, etc.
São comuns as interpretações que vinculam a agroecologia com “uma vida mais saudável”; “uma produção agrícola dentro de uma lógica em que a natureza mostra o caminho”; “uma agricultura socialmente justa”; “o ato de trabalhar dentro do meio ambiente, preservando-o”; “o equilíbrio entre nutrientes, solo, planta, água e animais”; “o continuar tirando alimentos da terra sem esgotar os recursos naturais”; “um novo equilíbrio nas relações homem e natureza”; “uma agricultura sem destruição do meio ambiente”; “uma agricultura que não exclui ninguém”. (CAPORAL e COSTABEBER, 2004, p 06).
Para os autores, agroecologia é uma alternativa viável a preservação do meio ambiente e da sociedade. É um caminho mostrado pela natureza para manter o equilíbrio do planeta e ao mesmo tempo a sustentabilidade do país. A natureza tem dado sinais de que é urgente preservá-la, mesmo assim ainda não se tem políticas efetivas para combater a degradação desordenada no mundo.
Nesse sentido, devido à amplitude do termo agroecologia, há várias interpretações gerando confusão de conceituação da mesma.
Não raro, tem-se confundido Agroecologia com um modelo de agricultura, com a adoção de determinadas práticas ou tecnologias agrícolas e até com a oferta de produtos “limpos” ou ecológicos, em oposição àqueles característicos dos pacotes tecnológicos da Revolução Verde”. (CAPORAL e COSTABEBER, 2004, p 07).
Dessa forma os autores mostram que a agroecologia surgiu como um novo método de praticar agricultura, que todos possam trabalhar com equilíbrio sem degradação ambiental e social, pensando no futuro, de forma coletiva e solidária.
A agroecologia busca juntamente com o saber cientifico e popular, a reconstituição da agricultura tradicional buscando meios e alternativos de sobrevivência no campo independente, de muitos fatores. Por exemplo, muitas famílias camponesas dependem de comprar seus alimentos em mercado por que perdeu a determinação de plantar, colher e alimentar-se, preferem comprar produtos agroindústrializados com agrotóxicos, do que produtos saudáveis que ele mesmo pode produzir.
A agroecologia é apresentada com um enfoque científico que fornece as diretrizes conceituais e metodológicas para a orientação de processos voltados à refundação da agricultura na Natureza por meio da construção de analogias estruturais e funcionais entre os ecossistemas naturais e os agroecossistemas. Além disso, o enfoque agroecológico visa a intensificação produtiva da agricultura em bases sustentáveis por meio da integração entre os saberes científicos institucionalizados e a sabedoria local de domínio popular. (PETERSEN, 2009, p 10).
Nessa conjunção já está claro que a agricultura ecológica é uma ferramental essencial e acessível aos pequenos agricultores e que sem dúvidas tem contribuído e poderá contribuir muito mais com a construção do modelo de desenvolvimento do campo que os camponeses conscientes buscam alcançar.
Por isso, é fato que a procura de novas alternativas para a produção familiar é uma tarefa de todos. Pois não é só o camponês que está sendo prejudicado com os métodos devastadores da agricultura convencional, mas toda sociedade seja do campo ou da cidade, tem sofrido com os desastres ambientais, a miséria nas periferias dos grandes centros urbanos, as doenças relacionadas à ingestão de alimentos contaminados pelo veneno que garante a produção do agronegócio entre outras questões.
A agroecologia é um sonho possível da classe camponesa, esses que durante muito tempo teve nas mãos o controle da produção, trazendo sempre presente o cuidado com a terra e com a saúde humana. As guerras que sempre trouxeram tristeza e desastres humanos e ambientais foram responsáveis por mais este sinistro. O camponês derrepente perdeu o controle da terra e da produção, foram expulsos do campo e assim a vida no campo morreu. Agora são extensões enormes de plantações encharcadas de agrotóxico e desânimo.
Enquanto isso, nas favelas brasileiras se amontoa sem nenhuma condição de dignidade os expulsos do campo, que comem o veneno produzido pelo agronegócio e que sofrem o abandono social. Esses vivem em guerra pela sobrevivência, acreditam com certeza num amanhã diferente, mais humano, mais justo e mais social. Os expulsos da terra vivem o dilema dos “sem”, sem terra, sem comida, sem saúde, sem segurança... e muito mais.
Nesta perspectiva, a agroecologia surgiu para o pequeno produtor como uma alternativa de melhorar a saúde da população, de preservar o meio ambiente e voltar à vida no campo.
As poucas experiências agroecológicas do país já têm demonstrado ser possível produzir dentro de um modelo sustentável. O que emperra o desenvolvimento da agroecologia é a ganância da elite agrária, que mesmo sabendo que o agronegócio mata a vida e gera destruição, não recuam, ao contrario avançam cada vez mais, pensando apenas no capital.
Neste sentido, quem pode mudar isso? A população organizada! Organização social em massa pode salvar o mundo. Eles trouxeram a revolução verde, com todas desgraças já citadas nesse trabalho. A nova revolução pode ser a revolução pela vida no campo e pela sustentabilidade ambiental e social. A agroecologia pode ser uma alternativa construtiva nessa revolução.
AUTOR: LEONARDO ARAUJO
